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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Eu mereço!



Na vida há que saber-se estar. Há que saber respirar. Há que saber sentir e sentir-se.


Na vida é preciso procurar momentos de silêncio, de paz com a alma e com o mundo. Cada minuto na vida deve ser tragado como um pedaço de prazer com que nos deliciamos. Cada minuto deve ser o minuto na vida que receamos não viver, experienciado até ao último segundo e, nós, sedentos de todas as horas por vir, nos imensos dias que nos restam.


Viver, seja de que forma for, com os mais distintos caminhos que nos propomos seguir ou perder, é a nossa definição de puro merecimento. Viver é a aceitação tácita da declaração da nossa existência.

Podemos optar por saborear a vida e sentir o seu fluxo percorrer-nos ou assistir, enquanto meros observadores, à nossa passagem por ela, como vítimas de um destino que nos é alheio. É um risco enorme que se corre deixar que a vida corra por um qualquer percurso sem destino. Não saber para onde vamos, e, sobretudo, aonde nos dirigir, é não saber merecer o benefício que a vida é, na sua imensa beleza e distinção.


Poucos de nós vivem com confiança no seu caminho. Poucos de nós vivem agradecidos à vida pelo que se recebe. Felizmente, cada vez são mais os que reconhecem a importância de uma existência feliz, determinada e realizada. Mas o difícil na vida, mais do que descobrir o que de bom a vida tem, é saber-se merecê-lo, com confiança e convicção do que se merece e de que, todo o bem que nos sorri, nos é devido por direito.


Durante muito tempo, e à semelhança das realidades alheias que tenho observado, não soube merecer o que a vida me dava. Era tão fácil queixar-me do que não tinha, do que me faltava e do que queria ter que, quando – efetiva e merecidamente – as obtinha, não as sabia reconhecer como valor meu. Não é fácil recebermos de braços abertos as bênçãos que vêm até nós quando não estamos habituados a sentirmo-nos preenchidos. É preciso abrir o coração e querer amor. É preciso que se esqueçam as dores, os apegos e as faltas para receber dentro de nós o bem que se quer receber. Acima de tudo, é preciso uma boa dose de amor-próprio. Olhar no espelho e saber que há um valor intrínseco que não advém de reconhecimento alheio, mas, sim, do dom de se existir e das boas qualidades que todos, sem qualquer exceção, possuímos. Amarmo-nos desta forma é abrir o caminho a que vida nos sorria sem reticências. É, também, a nossa forma de dizer à vida que queremos ser felizes, que nos queremos perder – tranquilos e confiantes – em todo o bem que há. Se não soubermos apreciar todas as nossas alegrias, não podemos merecer com convicção o que desejamos. Mostrarmo-nos convictamente merecedores é a nossa retribuição perante a vida e perante as oportunidades que nos são dadas. 


Durante todo o tempo que não soube merecer a vida, tive medo. O medo é a pior armadilha de todas as armadilhas. É um caminho errado quando tudo dentro de nós grita para irmos no sentido contrário. As más emoções são a nossa orientação no caminho inverso do do medo. São a indicação de que algo não está bem, de que é preciso dar atenção ao que sentimos, reavaliar o caminho percorrido e ousar escolher diferente. A falta, a perda, o luto e o sofrimento do não merecimento é o medo disfarçado, corrompendo a nossa natureza amorosa e sábia que nos dirige, insistentemente, no caminho do amor.

Ousar pensar diferente. Ousar fazer diferente. Ousar ser diferente. Arriscar um passo em frente, diferente do modo de estar que conhecemos, é o primeiro movimento no encontro do merecimento. Primeiro desconstrói-se o padrão antigo, depois ultrapassa-se a estranheza e aceita-se sorrir às novas emoções para, de seguida, darmos por nós numa dança flutuante de bem-estar e felicidade, subtil ao olhar comum e imensa dentro de nós. 


Abraçar a vida deste modo é um saber viver com coragem. É um imenso ato de coragem querer-se bem, a nós próprios, às nossas escolhas e à nossa verdade. Ter um olhar destemido perante a nossa realidade e assumir tudo o que merecemos, sem desvalorizar ou repensar que não deveríamos ter tamanho gozo ou ser tão imensamente felizes. Os pequenos momentos tornam-se os maiores, plenos de gaudio e exultação. A alegria, o bem-estar e o peito cheio de coisas boas passamos a ser nós, merecedores que somos do bem que aceitamos ser.


quinta-feira, 28 de março de 2013

Sonho...



Tenho sonhos. São sonhos iguais aos de toda a gente, mas são meus, vividos e sentidos por mim. Não são um subterfúgio inconsciente. Sonho com o coração e sonho acordada, com a motivação inteira da alma e no enlace daquilo que defendo veementemente como a minha realidade, ainda por tornar realidade.


Sonho com as pessoas perfeitas que sei que existem, escondidas por detrás das máscaras do dia-a-dia. Sonho com todas as pessoas que existem fisicamente, mas que esquecem a sua verdadeira existência. Sonho que um dia acordam do seu mundo imperfeito e despertam para a sua verdade, olhando à sua volta o paraíso para que foram concebidas, de tantas cores quanto o arco-íris e em matizes harmoniosos. Sonho que estas pessoas não têm medos porque escolhem conscientemente dar a mão ao Amor e vivê-lo. Não o amor entre si, mas o amor dentro de si, aquele que não deixa dúvidas do que somos feitos e nos mostra o caminho quando não sabemos aonde nos dirigir e que trilho pisar. Sonho que os seus medos se transformam em oportunidades de vencer com coragem e sem dúvida de que existirá sucesso, não porque o medo deixa de ser temível, mas porque o medo é o outro lado, aquilo que não são, um oposto que se desvanece perante o seu inverso certo e incontestável. Sonho que estas pessoas perfeitas não têm reservas de falar nestes termos, de amor, de medo e novamente de amor. Sonho que estas pessoas são ainda mais perfeitas por não deixarem que ninguém lhes diga que falar de amor é ser-se demasiadamente sensível. Falar de amor, sentir amor e viver amor não pode ser nunca “demasiado” porque, no fim, é tudo. 


Sonho que estas pessoas perfeitas escolhem viver e seguir os seus caminhos porque sabem donde vêm e para onde têm de ir. Sonho que perseguem determinadas o desafio da sua alma porque sabem que essa é a instância suprema da sua existência e é ela que devem respeitar, porque tudo o mais é vão, é desta vida e nela ficará, sem antecedentes ou consequentes. Sonho que estas pessoas perfeitas não duvidam de si próprias nem dos outros. Reconhecem a ligação divina que nos une, respeitam-na e abrem o coração a uma tolerância própria de quem entende o valor da diferença e da unidade. Não trocam olhares de inveja, de superioridade nem de menosprezo porque sabem que o seu caminho se cruza com o dos outros, interligados, enlaçados e encadeados porque, no fim, somos tudo. 


Sonho que estas pessoas perfeitas vivem em desapego, despojadas dos bens materiais que pertencem a uma realidade física e limitada. Sonho que reconhecem o verdadeiro valor do que não tem preço, porque a verdadeira riqueza não existe nas nossas mãos, mas no coração. Sonho que optam por viver a vida em nome de algo maior que não se compra, não se vende nem se troca: dá-se! O amor dá-se, o saber dá-se e a própria vida dá-se. Dá-se e inspira-se!


Sonho que estas pessoas perfeitas têm tudo o que querem, não porque tudo desejam, mas porque sabem, com sensatez e clareza, aquilo de que realmente precisam. Têm um contacto direto com as suas emoções, conhecem de cor o itinerário das suas necessidades e são francas perante si próprias. Querem o que é simples e que as preenche. O essencial não contém tudo, mas é tudo.


Sonho que estas pessoas perfeitas não se interessam por veleidades. Não se interessam porque aquilo que não constrói, não engradece e não enrique a alma. Nos meus sonhos não existe dinheiro nem política porque é algo de que não precisamos para evoluir – o dinheiro não é necessário, trocam-se bens, serviços e aquilo que de melhor cada um tem para dar, explorando dons e talentos, e existe abundância; não existe política porque a justiça é intrínseca e as pessoas perfeitas auto ordenam-se, reorganizam-se, respeitam-se e sabem que o lugar que devem ocupar é o seu lugar em relação aos outros, num quadro de consciência coletiva e de unidade. As pessoas perfeitas querem evoluir e evoluem, expandem-se, sem serem mais ou menos do que outros, pois o que são é tudo o que se pode ser - a perfeição!


Nos meus sonhos, com as pessoas perfeitas que sei que existem, há um retorno de todo o bem que se faz. Não se faz mal porque não há mal. Há, sim, um amor imenso, universal e incondicional que subjaz a todas as relações humanas, estruturando e fundamentando a nossa existência. Nos meus sonhos, vive-se com o coração disponível a tudo o que nos faz bem, porque a vida é uma experiência de exultação. A vida tem de ser boa, verdadeiramente boa, e, nos meus sonhos, é!


Nos meus sonhos, existe tudo aquilo com que sonho. Existe tolerância, complacência, respeito, amor e pessoas perfeitas. Nos meus sonhos, um dia acordo e tudo aquilo com que sonho existe. 


Para todos os que, como eu, fazem da vida um sonho tornado realidade.